Copa dos Refugiados: Nigéria vence o Marrocos por 9×4 e conquista bicampeonato

 

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A final da Copa dos Refugiados aconteceu na tarde deste domingo (24), no histórico Estádio do Pacaembu, em São Paulo e teve muita emoção com a Nigéria se sagrando bicampeã, vencendo a equipe do Marrocos por 9x4. A grande vencedora da IV edição da Copa dos Refugiados venceu também o campeonato na primeira edição, em 2014, derrotando a equipe de Camarões por 4x3, nos pênaltis; Guiné Bissau ficou com o terceiro lugar.

A grande final teve um gosto muito especial para os jogadores e também para a organizadora do evento, a ONG África do Coração, pois pela primeira vez o campeonato seria disputado em um grande estádio de São Paulo – em março, ocorreu um jogo amistoso entre times formados por refugiados e brasileiros, que abriu oficialmente o calendário de preparação para o evento, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre.

“Nesta edição, buscamos focar a questão globalizante do refúgio e mostrar os refugiados e imigrantes como protagonistas da integração na sociedade brasileira. Posso resumir o significado da Copa da seguinte forma: Tem diferença fazer uma copa para refugiados, com refugiados e a Copa dos Refugiados. Essa copa é dos refugiados, para lutar contra o preconceito e a discriminação e dar visibilidade para a causa no país. Essa copa tem uma importância muito grande, pois através da mídia nós conseguimos dar voz aos imigrantes e refugiados no Brasil”, explica o engenheiro civil, Jean Katumba, presidente da África do Coração e idealizador do Campeonato. Katumba deixou seu país, a República Democrática do Congo, devido a perseguições políticas e está no país há 4 anos.

“A Copa de Integração dos Refugiados no Brasil traz tanta alegria para nós refugiados e imigrantes e o seu objetivo é justamente unir refugiados e imigrantes e integrá-los ao povo brasileiro, para que se conheçam mais de perto, lembrando que o futebol é uma linguagem universal, unindo raças, políticos, religiões. O Brasil é o país que mais exporta jogadores de futebol no mundo, estamos numa verdadeira escola de futebol e por isso, escolhemos essa modalidade esportiva para quebrar a xenofobia, a ignorância, islamofobia, e toda forma de preconceito”, afirma Abdulbaset Jarour, de Alepo, na Síria, coordenador da Copa, refugiado por conta da guerra em seu país e vive no Brasil há três anos.

E Abdul, como é conhecido, continua: “Queremos chamar a atenção da sociedade brasileira, de que somos seres humanos e temos direito de imigrar e este é um país formado por imigrantes e refugiados. A cultura brasileira é fruto da mistura de várias raças, nacionalidades, a história é que fala isso. Por esse motivo, queremos também compartilhar com vocês nossas culturas. Saímos de nossos países para salvarmos nossas vidas, queremos espaço e conquistarmos a cidadania brasileira”, complementa.

Nesta edição de 2017, participaram 37 nacionalidades, sendo que os 16 times que disputaram as etapas eliminatórias foram definidos por sorteio: Angola, Benin, Camarões, Colômbia, Gâmbia, Gana, Guiné Bissau, Guiné Conacri, Iraque, Mali, Marrocos, Nigéria, República Democrática do Congo, Síria, Tanzânia e Togo, participaram defendendo suas camisas, totalizando 250 jogadores.

Premiação

Os Campeões ergueram a taça do campeonato e receberam bicicletas da Netshoes, segundo e terceiro lugares receberam medalhas de participação.

Parceiros

 

A Copa dos Refugiados conta com o apoio do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), do Comitê Nacional para Refugiados (CONARE), da Caritas Arquidiocesana de São Paulo, por meio do seu Centro de Referência para Refugiados, da Prefeitura de São Paulo e da Cruz Vermelha. O evento esportivo tem ainda entre seus parceiros a empresa de artigos esportivos Netshoes, que forneceu os uniformes para as equipes, o SESC-SP e a francesa Sodexo, líder mundial no ramo de alimentos, que participa fornecendo kits de alimentação para os jogadores

 

Refugiados no Brasil e no mundo

 

Conforme levantamento do ACNUR, divulgado em junho deste ano, o contingente de refugiados no Brasil teve um aumento de 9,31%, elevando o número de 8.863 em 2016, para 9.689 em 2017. De acordo com o relatório, além dos refugiados reconhecidos, 35.464 é o número de pessoas que em busca de proteção, solicitaram asilo e estão abrigados estão no país atualmente. Até o final de 2016, o Brasil reconheceu 9.552 refugiados de 82 nacionalidades.

 

Os países que tiveram maior número de refugiados reconhecidos no Brasil foram Síria (326), República Democrática do Congo (189), Paquistão (98), Palestina (57) e Angola (26).

Já os países com o maior número de solicitantes de refúgio no Brasil em 2016, foram: Venezuela (3.375), Cuba (1.370), Angola (1.353), Haiti (646) e Síria (391).

 

Ainda de acordo com o ACNUR, o mundo atingiu no último ano o número recorde de refugiados já registrado na história, contabilizando 65,6 milhões de pessoas que foram obrigadas a abandonar seus países de origem por conta de guerras, violências e perseguições políticas.

 

O conflito na Síria eleva o país à condição de nação com maior contingente de refugiados no mundo, com 5,5 milhões de deslocados, seguido pelo Sudão do Sul, que após ruptura de acordos de paz a partir do ano passado, já contabiliza 1,4 milhão.

 

A dramática situação dos refúgios atinge também as crianças, que somam metade dos refugiados de todo o mundo. 75 mil solicitações de refúgio foram feitas por crianças que viajavam sozinhas ou separadas dos pais.

 

 Por Sibele Martins, jornalista voluntária da ONG África do Coração

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